Aquidauana e Anastácio - MS
Foto Arima
Fotografia - Cartão Postal
A Ponte
da Amizade em Mato
Grosso do Sul, também conhecida como Ponte Velha,
denominada Roldão de Oliveira, demonstra sua perenidade, vencendo as
formidáveis enchentes periódicas do rio Aquidauana. Construída
sobre pilares de pedras, com lastro de madeira e parte da estrutura de ferro.
Essa ponte de
ferro se incorporou à memória paisagística do próprio rio. Seu perfil é
inconfundível, foi construída sobre o rio Aquidauana e une
os municípios de Aquidauana e Anastácio.
Por ela passa
apenas um carro de cada vez. A estrutura de ferro e o madeiramento oferecem
boas condições de tráfego.
Pesquisa
realizada nos três primeiros livros da ata da Câmara Municipal de Aquidauana, demostra as
peripécias que sucederam para a construção da ponte Velha, hoje batizada de
Roldão de Oliveira.
A primeira
referência a essa iniciativa, encontramos na ata do dia 11 de abril de 1918 que diz que nessa sessão compareceu
o farmacêutico Roldão
de Oliveira, Intendente Geral do município que a convite do Sr. Presidente
tomou assento à mesa a planta que mandou confeccionar uma ponte sobre o Rio Aquidauana, a fim de
servir de base à sua construção, o que foi unanimemente aceito.
A ponte teria
sua estrutura de madeira aroeira sobre
pedestais de pedra rejuntada com cimento, com sete metros de largura. O
primeiro local, escolhido pelo Conselho Municipal, foi na embocadura da Rua D.
Aquino, em frente ao Porto Geral da Balsa, na margem esquerda do rio,
hoje Anastácio.
Em 28 de junho de 1918, Roldão de Oliveira foi autorizado a
contrair empréstimo, por meio de subscrição popular, até a quantia de cento e
cinquenta contos de
réis para a construção. Pela Resolução No. 100, de março de 1919, muda-se o sistema estrutural da ponte de
madeira para de ferro. Fica o Intendente Geral autorizado a entrar em negócio
com o governo do Estado
de São Paulo para aquisição de uma ponte metálica que o mesmo
governo prontificou-se a ceder ao governo municipal desta cidade pela quantia
de cem contos de
réis dando-a assentada e assoalhada pronta para o trânsito
público.
O pior
aconteceu: as enchentes torceram o pilar, cujo desabamento era esperado a
qualquer instante. Era necessário sua demolição. Como o pilar não
era no centro da ponte, um vão com 40 metros e outro com 20 metros, optou-se
pela inversão da estrutura.
O novo pilar
passou a ser construído mais próximo da margem direita, demolindo-se o da
margem esquerda. Após tantos contratempos, a ponte de ferro tornou-se um dos
monumentos mais representativos da cidade. O seu perfil é o próprio símbolo
de Aquidauana, merecendo
portanto, um tombamento histórico.
Por falta de
registro escrito, muitos acontecimentos pitorescos dos tempos passados se
perdem. Muitas vezes, são relatos saborosos que só o colóquio familiar consegue
testemunhar. Porém, se nenhum dos ouvintes dá continuidade à história, a
transmissão oral se encerra naquela mesma prosa e nunca mais será lembrada.
Nem sempre,
também, os fatos narrados são reproduzidos fielmente. Os “causos” são
aumentados, diminuídos ou totalmente transformados. E, pior ainda, quando são
para sempre abafados. Aí, perdemos, todos nós, o sabor.
Vamos falar da
“Ponte Velha” de Aquidauana, ou oficialmente: “Ponte Roldão de Oliveira”, nome
do prefeito que a concebeu, no ano de 1918. A construção foi iniciada em 1919
(cem anos atrás) e inaugurada em 1926, no governo do prefeito José Alves
Ribeiro Filho
Pois bem, a
história desta ponte se mostra rodeada de mistérios.
Recebi uma
carta pelo Correio, postada em três de janeiro de 2019, de uma sobrinha de tio
Roldão, nosso tio comum, Célia de Oliveira Soares, onde ela comenta uma visita
que fez ao tio, há muitos anos atrás, em São Paulo. Diz ela:
“Gostaria de
lhe contar o seguinte: (caso conheça a história, minhas desculpas). Quando meu
irmão morava em Lorena, SP, ia constantemente a serviço a São Paulo e, porque
todas as minhas férias e feriadões eram com ele, aproveitei a carona e fui a
São Paulo várias vezes, sempre visitando os tios que moravam ali mesmo no
Centro, na Avenida São João. E, nesses papos que se repetiam e que me deram
chance de conhecê-lo e também à tia e aos dois filhos, ele me contou o
seguinte: era prefeito de Aquidauana, cidade que tem um lindo e largo rio, e
sonhava com uma ponte que unisse a cidade, sonho que ficava mesmo nesse
terreno, pois a cidade àquela época, não conseguia nunca o dinheiro disponível
para despesa de tal monta. Aí, convidado para se encontrar com outros prefeitos
em São Paulo (não sei de que área desse Brasil tão grande) não quis perder a
chance de voltar com ideias que pudessem ajudar sua cidade, tem a surpresa
extremamente grata de se encontrar com um velho colega de faculdade (Ouro
Preto) e que era prefeito de Florianópolis. Muitos abraços, assuntos de
anos e anos, quando o colega lhe confidenciou estar metido na maior bananosa de
seu governo. Comprou, com recursos tirados das pedras, na Bélgica, uma ponte
metálica para unir sua ilha ao continente. A ponte, em pedaços, chegou menor do
que a distância necessária e ele estava nesse sufoco. Adorou vendê-la para
Aquidauana, a preço de ferro velho, ficou livre da sucata e o tio voltou feliz
com seu sonho em vias de realização.”
Essas são
lembranças remotas que, como tradição oral, estão sujeitas a alguns reparos.
Porém, trazem pistas para acrescentar ou desvendar mistérios do passado.
A história
oficial, através de documentação da Câmara Municipal de Aquidauana, relata:
“Em 20 de
junho de 1918, Roldão de Oliveira foi autorizado a constituir empréstimo para a
construção da ponte.”
“Resolução nº
100, de março de 1919 – Fica o Intendente Geral autorizado a entrar em negócio
com o governo do Estado de São Paulo para aquisição de uma ponte metálica que o
mesmo governo prontificou-se a ceder ao governo municipal desta cidade pela
quantia de cem contos de réis dando-a assentada e assoalhada pronta para o
trânsito público.”
História como
essa, contraditória, centenária, são mistérios que brincam com nossa capacidade
de reconstituir o passado real. Mas, não perde o encanto das lembranças
tão bem guardadas no baú das memórias.
A Ponte Roldão de Oliveira foi inaugurada em 29 de novembro de 1926. E se tornou o cartão postal mais característico da cidade de Aquidauana.
Roldão de Oliveira faleceu em São Paulo, em 20 de março de 1972, com 92 anos de idade.
A Ponte Roldão de Oliveira foi inaugurada em 29 de novembro de 1926. E se tornou o cartão postal mais característico da cidade de Aquidauana.
Roldão de Oliveira faleceu em São Paulo, em 20 de março de 1972, com 92 anos de idade.
É verdade? Nunca saberemos...rs. Mas é uma boa história e eu não duvidaria dela...

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