sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Ponte Sobre o Rio Aquidauana, Chamada Ponte Velha, Ponte da Amizade, Atual Roldão de Oliveira, Aquidauana e Anastácio, Mato Grosso do Sul, Brasil

Ponte Sobre o Rio Aquidauana, Chamada Ponte Velha, Ponte da Amizade, Atual Roldão de Oliveira, Aquidauana e Anastácio, Mato Grosso do Sul, Brasil
Aquidauana e Anastácio - MS
Foto Arima
Fotografia - Cartão Postal

A Ponte da Amizade em Mato Grosso do Sul, também conhecida como Ponte Velha, denominada Roldão de Oliveira, demonstra sua perenidade, vencendo as formidáveis enchentes periódicas do rio Aquidauana. Construída sobre pilares de pedras, com lastro de madeira e parte da estrutura de ferro.
Essa ponte de ferro se incorporou à memória paisagística do próprio rio. Seu perfil é inconfundível, foi construída sobre o rio Aquidauana e une os municípios de Aquidauana e Anastácio.
Por ela passa apenas um carro de cada vez. A estrutura de ferro e o madeiramento oferecem boas condições de tráfego.
Pesquisa realizada nos três primeiros livros da ata da Câmara Municipal de Aquidauana, demostra as peripécias que sucederam para a construção da ponte Velha, hoje batizada de Roldão de Oliveira.
A primeira referência a essa iniciativa, encontramos na ata do dia 11 de abril de 1918 que diz que nessa sessão compareceu o farmacêutico Roldão de Oliveira, Intendente Geral do município que a convite do Sr. Presidente tomou assento à mesa a planta que mandou confeccionar uma ponte sobre o Rio Aquidauana, a fim de servir de base à sua construção, o que foi unanimemente aceito.
A ponte teria sua estrutura de madeira aroeira sobre pedestais de pedra rejuntada com cimento, com sete metros de largura. O primeiro local, escolhido pelo Conselho Municipal, foi na embocadura da Rua D. Aquino, em frente ao Porto Geral da Balsa, na margem esquerda do rio, hoje Anastácio.
Em 28 de junho de 1918, Roldão de Oliveira foi autorizado a contrair empréstimo, por meio de subscrição popular, até a quantia de cento e cinquenta contos de réis para a construção. Pela Resolução No. 100, de março de 1919, muda-se o sistema estrutural da ponte de madeira para de ferro. Fica o Intendente Geral autorizado a entrar em negócio com o governo do Estado de São Paulo para aquisição de uma ponte metálica que o mesmo governo prontificou-se a ceder ao governo municipal desta cidade pela quantia de cem contos de réis dando-a assentada e assoalhada pronta para o trânsito público.
O pior aconteceu: as enchentes torceram o pilar, cujo desabamento era esperado a qualquer instante. Era necessário sua demolição. Como o pilar não era no centro da ponte, um vão com 40 metros e outro com 20 metros, optou-se pela inversão da estrutura.
O novo pilar passou a ser construído mais próximo da margem direita, demolindo-se o da margem esquerda. Após tantos contratempos, a ponte de ferro tornou-se um dos monumentos mais representativos da cidade. O seu perfil é o próprio símbolo de Aquidauana, merecendo portanto, um tombamento histórico.
Por falta de registro escrito, muitos acontecimentos pitorescos dos tempos passados se perdem. Muitas vezes, são relatos saborosos que só o colóquio familiar consegue testemunhar. Porém, se nenhum dos ouvintes dá continuidade à história, a transmissão oral se encerra naquela mesma prosa e nunca mais será lembrada.
Nem sempre, também, os fatos narrados são reproduzidos fielmente. Os “causos” são aumentados, diminuídos ou totalmente transformados. E, pior ainda, quando são para sempre abafados. Aí, perdemos, todos nós, o sabor.
Vamos falar da “Ponte Velha” de Aquidauana, ou oficialmente: “Ponte Roldão de Oliveira”, nome do prefeito que a concebeu, no ano de 1918. A construção foi iniciada em 1919 (cem anos atrás) e inaugurada em 1926, no governo do prefeito José Alves Ribeiro Filho
Pois bem, a história desta ponte se mostra rodeada de mistérios.
Recebi uma carta pelo Correio, postada em três de janeiro de 2019, de uma sobrinha de tio Roldão, nosso tio comum, Célia de Oliveira Soares, onde ela comenta uma visita que fez ao tio, há muitos anos atrás, em São Paulo. Diz ela:
“Gostaria de lhe contar o seguinte: (caso conheça a história, minhas desculpas). Quando meu irmão morava em Lorena, SP, ia constantemente a serviço a São Paulo e, porque todas as minhas férias e feriadões eram com ele, aproveitei a carona e fui a São Paulo várias vezes, sempre visitando os tios que moravam ali mesmo no Centro, na Avenida São João. E, nesses papos que se repetiam e que me deram chance de conhecê-lo e também à tia e aos dois filhos, ele me contou o seguinte: era prefeito de Aquidauana, cidade que tem um lindo e largo rio, e sonhava com uma ponte que unisse a cidade, sonho que ficava mesmo nesse terreno, pois a cidade àquela época, não conseguia nunca o dinheiro disponível para despesa de tal monta. Aí, convidado para se encontrar com outros prefeitos em São Paulo (não sei de que área desse Brasil tão grande) não quis perder a chance de voltar com ideias que pudessem ajudar sua cidade, tem a surpresa extremamente grata de se encontrar com um velho colega de faculdade (Ouro Preto)  e que era prefeito de Florianópolis. Muitos abraços, assuntos de anos e anos, quando o colega lhe confidenciou estar metido na maior bananosa de seu governo. Comprou, com recursos tirados das pedras, na Bélgica, uma ponte metálica para unir sua ilha ao continente. A ponte, em pedaços, chegou menor do que a distância necessária e ele estava nesse sufoco. Adorou vendê-la para Aquidauana, a preço de ferro velho, ficou livre da sucata e o tio voltou feliz com seu sonho em vias de realização.”
Essas são lembranças remotas que, como tradição oral, estão sujeitas a alguns reparos. Porém, trazem pistas para acrescentar ou desvendar mistérios do passado.
A história oficial, através de documentação da Câmara Municipal de Aquidauana, relata:
“Em 20 de junho de 1918, Roldão de Oliveira foi autorizado a constituir empréstimo para a construção da ponte.”
“Resolução nº 100, de março de 1919 – Fica o Intendente Geral autorizado a entrar em negócio com o governo do Estado de São Paulo para aquisição de uma ponte metálica que o mesmo governo prontificou-se a ceder ao governo municipal desta cidade pela quantia de cem contos de réis dando-a assentada e assoalhada pronta para o trânsito público.”
História como essa, contraditória, centenária, são mistérios que brincam com nossa capacidade de reconstituir o passado real.  Mas, não perde o encanto das lembranças tão bem guardadas no baú das memórias.
A Ponte Roldão de Oliveira foi inaugurada em 29 de novembro de 1926. E se tornou o cartão postal mais característico da cidade de Aquidauana.
Roldão de Oliveira faleceu em São Paulo, em 20 de março de 1972, com 92 anos de idade.
É verdade? Nunca saberemos...rs. Mas é uma boa história e eu não duvidaria dela...


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